26.11.09
Recordações
Dói um bocadinho depois de me lembrar de ti, não é uma grande dor, não é uma inflamação, nada como aquelas dores que dão febre e só passam com um Benuron ou dois. É uma dor muscular muito fraquinha, afinal o coração é um músculo, não é?
Recordações
Hoje lembrei-me de ti... Acho que foi quando ouvi os periquitos no parque, lembras-te dos periquitos? Chamávamos-lhes papagaios - nunca percebemos nada de pássaros tu e eu - tu, que não distinguias um periquito de um papagaio, dizias que eles nos seguiam como se isso fizesse de nós algo melhor do que o disparate que fomos. Como se a presença dos periquitos bastasse para provar que estávamos certos, que eu podia apesar de tudo acreditar em ti, parva!
25.11.09
Nada é melhor do que um dia de chuva
A (minha) vida é como as saladas, sabe muito melhor no Verão. Isto para te dizer que não há nada melhor do que um dia de chuva destes em que as folhas das Tílias ainda não caíram todas, mas prometem cair nos próximos dias.
24.11.09
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O'Neill
23.11.09
Não há melhor motivo para uma união do que o desconhecimento recíproco.
Henry James . "Retrato de uma Senhora"
Henry James . "Retrato de uma Senhora"
22.11.09
20.11.09
Palavras que não existem em Português
Unfriend
Não me parece que "desamizar" já conste dos nossos dicionários. No meu só existe desamizade, não é a mesma coisa.
Não me parece que "desamizar" já conste dos nossos dicionários. No meu só existe desamizade, não é a mesma coisa.
Unfriend
É para o "New Oxford American Dictionary" a palavra do ano, para mim também pode ser (por umas razões que eu cá sei). Não é uma palavra feliz (os tempos também não o são), não é uma palavra bonita, não é uma palavra que deva muito à imaginação ou criatividade. Mas é, apesar de tudo, uma palavra das que fazem bater mais depressa o coração e isso já não é mau.
"VALOR DAS PALAVRAS Ha palavras que fazem bater mais depressa o coração-todas as palavras-umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os logares e as posições das palavras. Segundo o lado d'onde se ouvem-do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol. Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo. As palavras querem estar nos seus logares! NÓS E AS PALAVRAS Nós não somos do seculo d'inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do seculo d'inventar outra vez as palavras que já foram inventadas."
José de Almada Negreiros . "A Invenção do Dia Claro"
VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA!
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?
José Gomes Ferreira
19.11.09
18.11.09
Uma boa pergunta
“A grande indagação que ficou sem resposta, à qual eu mesmo não
soube responder, apesar de meus trinta anos de estudo da alma feminina, é a
seguinte: Was will das Weib? – O que quer a mulher?”
Freud numa carta para Marie Bonaparte.
(Uma pergunta, sem grande resposta, que vai entretendo os homens ao longo dos tempos)
soube responder, apesar de meus trinta anos de estudo da alma feminina, é a
seguinte: Was will das Weib? – O que quer a mulher?”
Freud numa carta para Marie Bonaparte.
(Uma pergunta, sem grande resposta, que vai entretendo os homens ao longo dos tempos)
17.11.09
15.11.09
Dos Blogs
Eu adoro este blog
Este post é uma delícia
Os blogs são para os escritores, o resto é conversa.
Um escritor não deve nada coisa nenhuma, nem tem explicações a dar. Inventa a verdade e conta histórias. Só.
Este post é uma delícia
Os blogs são para os escritores, o resto é conversa.
Um escritor não deve nada coisa nenhuma, nem tem explicações a dar. Inventa a verdade e conta histórias. Só.
14.11.09
12.11.09
10.11.09
It came from a certain fear
"I shall come and see you next week" he said.
She had receive an appreciable shock, but as it died away she felt that she couldn´t pretend to herself that it was altogether a painful one. Nevertheless she made answer to his declaration, coldly enough, "just as you please". And her coldness was not calculation of her effect - a game she played in a much smaller degree than would have seemed probable to many critics. It came from a certain fear.
E uma frase, linda, destas é traduzida assim "Aquilo provinha apenas do receio que sentia" e perde a graça toda.
Henry James . "Retrato de uma Senhora"
She had receive an appreciable shock, but as it died away she felt that she couldn´t pretend to herself that it was altogether a painful one. Nevertheless she made answer to his declaration, coldly enough, "just as you please". And her coldness was not calculation of her effect - a game she played in a much smaller degree than would have seemed probable to many critics. It came from a certain fear.
E uma frase, linda, destas é traduzida assim "Aquilo provinha apenas do receio que sentia" e perde a graça toda.
Henry James . "Retrato de uma Senhora"
6.11.09
5.11.09
4.11.09
Ser ilha
Ser ilha não é lá muito bom, as ilhas são aqueles lugares onde dá uma trabalheira chegar, mas depois de lá estar só nos interessa conhecer a melhor maneira de lá sair.
Palavras que eu não gosto mesmo nada
Há dois tipos de palavras nesta categoria: As palavras que eu não gosto mesmo nada mas não me importo de usar (destino, lisonja, substituir, bonsai, insónia, talvez...), e as palavras que eu não gosto mesmo nada e faço questão de nunca utilizar, claro que essas nunca aqui serão escritas por mais que me apeteça (e apetece tantas vezes, por exemplo para explicar que, perene, já escrevi, é uma palavra que faço questão de nunca utilizar fora do âmbito da botânica, e mesmo aí, persistente é mais exacto)
3.11.09
2.11.09
Felicidades
Há qualquer coisa de irresistível nos homens que não acreditam na felicidade. Os homens que acreditam na felicidade são, quase sempre uns patetas.
Felicidades
Não acreditar na felicidade, não faz ninguém infeliz. Da mesma maneira que: Acreditar na felicidade, não faz ninguém feliz.
A POESIA ESTÁ na rua
Gosto muito desta fotografia (do José Ernesto de Sousa) que vi aqui. Não sei muito bem porque é que gosto tanto, tanto dela. Na verdade, não quero saber porque é que gosto tanto dela.
De mim para mim...
Por vezes dou-me conta de que afinal sou bastante mais parecida comigo do que alguma vez imaginei poder vir a ser.
31.10.09
O Mestre da Intuição
Le désordre est simplement l'ordre que nous ne cherchons pas.
Se eu gostasse de tatuagens, tatuava esta citação do Bergson na testa.
E depois, tomando-lhe provavelmente o gosto, tatuaria toda a sua obra em letras muito, muito pequeninas que jamais se conseguiriam ler, pelo resto do corpo.
Henri Bergson
Se eu gostasse de tatuagens, tatuava esta citação do Bergson na testa.
E depois, tomando-lhe provavelmente o gosto, tatuaria toda a sua obra em letras muito, muito pequeninas que jamais se conseguiriam ler, pelo resto do corpo.
30.10.09
28.10.09
27.10.09
Flagrantedelícia
Gosto dos blogs capazes de me convencer a fazer coisas que nunca imaginei vir a fazer. Sobremesas, neste caso.
26.10.09
Afinidades
O que eu procuro nos outros é o que não existe em mim. Dito de outra forma: Abomino afinidades.
Dos Prefácios
Jorge de Sena no prefácio de " O Velho e o Mar" escreve:
"O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nestas páginas (...). Mas vivem sem a mínima poetização panteísta, sem a mínima deliquescência antropomórfica. Vivem. São."
Não sem antes referir, aquilo que - segundo ele - faz com que um escritor consiga fazer da natureza, Ser.
"um conhecimento profundo, de todas as horas, de todos os momentos, dir-se-ia que da mínima tonalidade da luz, como do mais comum gesto de uma espécie animal, conhecimento que na literatura contemporânea só Hemingway possuirá tão despreconceituosamente."
Para se apreciar, verdadeiramente "O Velho e o Mar" também é necessária uma grande dose desse conhecimento que Jorge de Sena refere. Cada vez que volto a ler "O Velho e o Mar, certifico-me que, infelizmente, ainda não a tenho.
"O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nestas páginas (...). Mas vivem sem a mínima poetização panteísta, sem a mínima deliquescência antropomórfica. Vivem. São."
Não sem antes referir, aquilo que - segundo ele - faz com que um escritor consiga fazer da natureza, Ser.
"um conhecimento profundo, de todas as horas, de todos os momentos, dir-se-ia que da mínima tonalidade da luz, como do mais comum gesto de uma espécie animal, conhecimento que na literatura contemporânea só Hemingway possuirá tão despreconceituosamente."
Para se apreciar, verdadeiramente "O Velho e o Mar" também é necessária uma grande dose desse conhecimento que Jorge de Sena refere. Cada vez que volto a ler "O Velho e o Mar, certifico-me que, infelizmente, ainda não a tenho.
25.10.09
Palavras que eu gosto
Tocar
Há bocadinhos da vida melhores do que outros, os melhores bocadinhos da vida - digo-o sem grandes dúvidas - são aqueles em que somos tocados.
Para ser tocado é preciso, antes de mais, tocar.
Há bocadinhos da vida melhores do que outros, os melhores bocadinhos da vida - digo-o sem grandes dúvidas - são aqueles em que somos tocados.
Para ser tocado é preciso, antes de mais, tocar.
24.10.09
23.10.09
By This River
Here we are stuck by this river
You and I underneath a sky
That's ever falling down down down
Ever falling down
Through the day as if on an ocean
Waiting here always failing to remember
Why we came came came
I wonder why we came
You talk to me as if from a distance
And I reply with impressions chosen
From another time time time
From another time.
Brian Eno . "Before and After Science"
22.10.09
21.10.09
20.10.09
18.10.09
17.10.09
O diagnóstico e a terapêutica
O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por descuido, no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não se pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o dente de alho, que nesse caso nao serve para nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino e ao esconjuro das bruxas. Nao há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.
Eduardo Galeano . "O Livro dos Abraços"
16.10.09
A Função da Arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcancaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano . "O Livro dos Abraços"
15.10.09
Pequeno-almoço
Hoje lá estava o professor, no mesmo lugar de sempre, a tomar o seu café, fingi que não o reconhecia - nada provoca mais o professor do que não ser reconhecido - ficou inquieto, nervoso, irritado, olhou primeiro pelo canto do olho, depois mais descaradamente. Finalmente disse: - A menina - trata-me sempre assim, o professor - conhece-me de algum lado? Estranhei a abordagem, tão directa, do professor, quando olhei para os seus olhos, quase julguei que me tinha enganado, querem ver que ele tem sentimentos? Mas, não, não me deixou responder e continuou com a pose do costume: - Não me conhece de lado nenhum e deixa aqui a sua carteira aberta, não faça isto. Menti-lhe: - Eu confio nas pessoas, mesmo nas desconhecidas. Ele sério, explicou-me porque é que eu não devia confiar nos desconhecidos. Muito gosta o professor de dar lições.
É tão fácil enganar quem se julga dono da verdade.
14.10.09
Dos Blogs
Tenho para mim, e para quem quiser, que os melhores blogs, são de mulheres (ou, excepcionalmente, para mulheres). Os piores blogs, também são de mulheres e têm fotografias de sapatos, sandálias e botas de salto alto.
13.10.09
Palavras que não existem em Português
A morte de um ressentimento. Os ingleses usam a expressão No hard feelings para explicar o fim de um ressentimento. A expressão é ambígua e na maior parte das vezes pouco sincera. No entanto diz-nos coisas, úteis, sobre a textura do ressentimento, é duro, áspero e forte, difícil de destruir portanto. Não conheço uma palavra para designar o fim de um ressentimento, só sei que sucede quando menos se espera e sem qualquer necessidade de violência, quanto à textura, é do mais macio e agradável que há.
Reconciliação não é, nem de longe, a palavra que eu procuro.
12.10.09
Ansiedade
Ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade... Medo, vá.
11.10.09
10.10.09
O que eu gostava de saber escrever sobre a urgência que os homens têm em esquecer as mulheres que julgam que amam, mas que afinal não amam.
Da medida das almas
Quando é que os Homens vão perceber que não há nada mais valioso do que uma alma muito grande?
Mamma mia!
Se, aqui há uns anos atrás, eu adivinhasse que aquelas duas minhas alminhas adoráveis iam passar uma noite de sábado a guinchar músicas dos abba num karaoke caseiro, tinha pensado mais seriamente nas consequências da maternidade.
9.10.09
8.10.09
De mim para mim...
É um erro pensar que tudo na vida tem princípio, meio e fim. Pior ainda, é acreditar que existindo (princípio meio e fim), se apresentam exactamente por esta ordem. Todas as combinações e omissões de partes são possíveis, por exemplo: Existem coisas sem fim, que têm principio e podem ou não ter meio, ou, coisas que não têm princípio mas têm fim e depois o meio (como a ansiedade).
O problema é que estas coisas nunca podem ser contadas como nas histórias, porque, já se sabe, as histórias têm sempre princípio, meio e fim.
O problema é que estas coisas nunca podem ser contadas como nas histórias, porque, já se sabe, as histórias têm sempre princípio, meio e fim.
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